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20140817

Nunca me lembro de Agosto ter conseguido chegar ao fim


Nunca me lembro de Agosto ter chegado ao fim. Setembro sempre entrou por esse mês dentro com o seu cortejo de desaparecimentos , saudades antes de tempo e consequentes nostalgias.
Todos os antigos amores de verão partiam antes da altura.

O verão e as conchas vazias nos bolsos ou algas secas a marcarem páginas de livros lidos durante o estio sempre foram sugados Setembro dentro, como marés vivas.

20130417

Pode ser por isso. O mar.



Uma espécie de voz quando toca, digo-te. Um som que vem de dentro e não se dirige especialmente para nenhum lado.
Chet Baker, dizes-me. Rimos. Ouvimo-lo um pouco mais e ficamos tanto tempo apenas a ouvir.
Até alguém dizer de novo esse nome. É estranho, porque nos olhamos como se voltássemos ao fim de muito tempo de qualquer sítio.
Alguém dirá então põe outra música. Embora tudo nos pareça estranho saímos para comprar cigarros, que é a única coisa que aos olhos dos outros poderá ser compreensível.
Mas ouvia-se o mar, perguntas-me. Talvez, digo. Só me recordo de termos ficado um tempo infindo deitados de costas no chão a olhar para as nuvens. Pode ser por isso. O mar.

20110924

"Os cavalos de Tarquínia"







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Pouco antes de o meu filho João nascer, decidiu-se que o sítio mais adequado para ficar em estado de espera seria no Luso, e assim sucedeu. Instalámo-nos no Luso durante meio verão e só saía do quarto do hotel para ir a Coimbra comprar livros da M. Duras. Voltava e lia-os. Em especial “O marinheiro de Gibraltar” e “Os cavalos de Tarquínia”, não me recordo do terceiro porque não deve ter corrido bem a leitura.
Saíamos do Luso, íamos a Coimbra comprar livros, voltávamos e liamo-los. Nunca mais voltei a estar grávido num verão. Nem a ter vontade de usar roupa tão clara, reparo agora olhando para as fotografias.