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20130203

Não é que não exista




Dia 5
Quando a dor é muita. Ou a perda um abismo. Ou o susto quase a tirar a vida. Ou a vida a assustar que se tira.
Aí, nós, os outros do lado de lá dessa cortina, ficamos invisíveis.
É pouco rigoroso materializar essa ideia de invisibilidade numa sombra. Mas como se pode ser rigoroso quando nos dói tanto essa tripla dor que é a ferida amada e a nossa invisibilidade somada à dúvida se o amor cura?

Dia 7
  Ou um barulho imenso, quase bíblico. Um rugido vindo de cima e é um prédio de exactamente doze andares que te cai em cima. Olhas à tua volta e não entendes o caos. Tude desaba e não te mexes nem um milímetro. O ruído abafado é estranhamente longínquo, tudo é estranhamente longínquo menos tu no meio de tudo.
Quando olhas para cima és atingida por um fragmento que não tem mais de 2 centímetros e meio mas que te deixa numa perplexidade profunda. Tão profunda que não entendes como tudo sossega de repente. Tão de repente que só sobras tu no meio desse caos desaparecido.
E eu. Mas eu tornei-me invisível. Não é que não exista.


Dia 10









Aos poucos a invisibilidade transforma-se num rio.

Um pouco como nesta fotografia de  Frederique Masselink . 

20100806

Do calor


Uma sombra. 38º sob essa concha. 42 fora dela. O calor protege-te. Ninguém no seu perfeito juízo para aqui vem livremente. Tanto te faz que à noite a temperatura desça um pouco e que seja esse o principal assunto das conversas. Interessa-te apenas as três horas da tarde. Mergulhar nessa ausência momentânea, nessa espécie de vertigem que a suspensão da actividade humana sempre te provoca.
(Alentejo-Agosto)