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20120410

Ninguém muda a água a labirintos


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Ah, mas ele adorou as flores que lhe deixou, disse a rapariga.
A. sorri como se por esse gesto acendesse uma luz. Está cansada das palavras, da repetição que implicam. Por isso as escreve como quem tece fios idênticos aos que ajudaram os heróis antigos a sair dos labirintos. Um fio de palavras.
Ninguém vai mudar a água às flores, pensa. Ninguém muda a água a labirintos. E aflige-se .
(para a minha mãe)

20120405

um veio de pequenos sons cada vez mais longínquos



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Ah, mas tem aqui umas lindas flores que lhe deixou a esposa, disse a rapariga.
C suspira como se esse gesto apagasse a luz. As palavras chegam ao fim, quer dizer, deixam de se ouvir. Na realidade elas continuam dentro de si com os seus pequenos ecos que o impedem de dormir.
Um fio de palavras, ou um veio de pequenos sons cada vez mais longínquos, não mais do que isso.
(para o meu pai)