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20170521
20170514
20170509
20170501
20160727
20160716
20160607
20160604
Uma luz antiga
Essas estátuas sem cabeça, sem braços,
esses troncos existindo só por si não exercem especial fascínio sobre uma
quantidade considerável de indivíduos que visitam em geral os museus e, mais
raramente, as ruínas. Pelo contrário, essa mutilação impede-os de ver. Creio
não exagerar se disser que constituem a maioria.
Que nos faz então – incluo-me
nesse número – permanecer fascinados face a um torso quebrado de um qualquer
atleta clássico desconhecido, contemplar sem fadiga essas obras, em certa
medida privadas de ser, de sentido?
Por uma curiosa simbiose, somos
de certa forma semelhantes a essas estátuas abandonadas pelos deuses. É de
facto o seu destino aquilo que melhor entendemos e sentimos.
De algum modo elas são à sua
maneira uma espécie de espelhos. Para a maioria, contudo, elas não refletem
imagem alguma. São apenas estátuas partidas.
(excerto de texto antigo, sem alterações)
20160531
20160302
20160214
20160205
20151104
20150926
20150924
20150616
.
Normalmente
hesito entre Proust, os espaços abertos e coisa nenhuma. Regra geral prefiro
coisa nenhuma.
Agora,
com esta espécie de cansaço, escolher é-me mais difícil ainda.
Não
me apetece nem palavras nem sons, mesmo
sob a forma de canto.
Música
barroca instrumental, ou vagas, era o que me convinha. Tudo o resto me parece
apenas barulho.
O
maior estrago de todos é saber que isso me é impossível.
No
fundo desconfio que possa haver uma estúpida ideia de imortalidade por debaixo
da capa da minha preguiça.
20150615
20150614
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