Nunca tive
amores de verão no sentido em que não tivessem entrado depois de Agosto pela
minha vida.
Ultrapassado
o meio século de existência, não só não dou maior valor à presença de
qualquer vestígio material desses acontecimentos, como o seu desaparecimento não
constitui qualquer problema.
Como os
mineiros, provavelmente, interessa-me o espaço que abriram dentro de mim. Essas
galerias, umas vezes invisíveis outras físicas, não são o mapa pelo qual me
oriento, mas constituem uma geografia secreta .. Mais um higrómetro do que uma bússola,
digamos assim.
Estas escrevinhagens
foram despoletadas pela descoberta de um antigo texto meu que julgava perdido e
diz o seguinte:
Walter
Benjamin dedica o conjunto de textos intitulado “Rua de Sentido Único” a Asja
Lacis da seguinte forma: « Esta rua chama-se Rua Asja Lacis, em homenagem
àquela que, como engenheiro, a rasgou no íntimo do autor».
Esta
espécie de estrela cadente que de 1924 a 1930 se terá demorado o suficiente
para deixar marcas, tê-las- à deixado em quantos outros textos e durante quanto
mais tempo ainda?”
E esta dúvida
assenta-me como uma luva.
