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20141023

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Nesse sítio ouviam-se pouquíssimas palavras.
As pessoas que arriscavam a vida descendo as falésias para apanhar pequenos animais batidos pelas vagas e com sabor a mar falavam pouco.
 J, cujo sonho era o silêncio, encontrou nesta atividade uma salvação temporária. Até encontrar S que tinha uma casa de verão na praia e um corpo de sereia sem a parte de peixe e uma biblioteca.
Possuía igualmente um numero imenso de discos de vinil embora não existisse qualquer gira discos ou aparelhagem mais atual. Foi este facto, por mais estranho que pareça, que o levou a ficar.
 Depois começou a escrever uma história cujos parágrafos se estenderam por todo esse inverno.
 Basicamente tinha a ver com o mar. Se a tivesse continuado a coisa desenvolver-se-ia no sentido de os livros irem perdendo letras e no seu lugar se encontrarem algas e alterações deixadas pelas marés. Ao abri-los ouvia-se apenas ao longe o som de duas pessoas a falarem, tapadas pelas maresias e o som suave e ritmado das vagas.



20140918

As palavras



E apetecia-te morrer. Claro que é uma palavra da qual não sabes nada. Invocar uma palavra em vão e com desconhecimento é um ato leviano.
Sei para onde estavas a olhar quando o disseste. Conheço o poder dessas falésias como conheço o poder de uma cadeira virada para a planície sob um alpendre, a sul.
Invocar palavras em vão é um ato insensato sobretudo porque nunca saberemos que raio de efeitos podem provocar esses textos em quem os lê.

Tinhas obrigação de saber que quem nos ama ouve essas palavras como se as lesse.  

20140815

Agosto







Conheço sítios onde só se consegue chegar a pé, outros de carro ou de barco. Outros ainda pela memória e pelos sonhos, que são os que me interessam mais.
Prefiro este meio de transporte alimentado a amores e amizades antigas e sal. Há uma sabedoria da pele a este respeito que não troco por nenhum mapa.



20140113

O silêncio fóssil dos mares.


Preciso de rios só com seixos, de marés tão vivas que mostrassem o silêncio fóssil do fundo dos mares.
E seria na mesma uma espécie de ouvido atento à escrita de Sophia, à sua alma feita das marés que todos temos dentro e transportamos para onde quer que vamos.
Os beduínos e os mergulhadores não são muito diferentes.