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20161016
20161009
20160918
20160412
20160307
20160116
20160110
20151130
20150902
20150829
Regresso
É quase Setembro. Regresso pela
mão de uma das infantas de Velasquez saída do quadro e que, como eu, vagueava
sem grande rumo numa imensa tarde espanhola. Chego em boa companhia, disso
tenho a certeza.
20150420
20150325
20141030
20140209
Uma estrela por muito menos
Atraem-me as vertigens.
Descobri isso de uma forma estranha, a ouvir Erik Satie.
Sempre me intrigou o efeito que as suas Gymnopédies exerciam sobre mim.
Aquela calma tinha qualquer coisa da calma das falésias. Conheço-lhes
os efeitos intrigantes, as seduções hipnóticas, os resultados.
Não gosto de vento mas aprecio uma boa tempestade. Na costa vicentina
esta aparente contradição acontece com frequência.
A primeira vez que ouvi Erik Satie foi num sítio assim, dentro de um
carro. Andei perto de oitenta quilómetros após um jantar para ouvir as
Gymnopédies no meio de um tempo que, de acordo com as previsões, assegurava vendaval.
Acho que nunca cheguei a ir embora nem nunca me apeteceu sair dessa
pintura de Turner com óleos a cheirar a maresia e a esteva. Erik Satie ouvido
através de uma pintura de Turner com um cheiro de vagas marítimas e esteva.
Um amigo ,que faz o favor de me aturar os entusiasmos e os exageros,
disse-me uma vez com um prazer imenso “fogo, já ouvi falar de tipos que
ganharam uma estrela ( no Michelin) por muito menos.”
20140113
O silêncio fóssil dos mares.
Preciso de rios só com seixos, de marés tão vivas que mostrassem o silêncio fóssil do fundo dos mares.
E seria na mesma uma espécie de ouvido atento à escrita de Sophia, à sua alma feita das marés que todos temos dentro e transportamos para onde quer que vamos.
Os beduínos e os mergulhadores não são muito diferentes.
20140112
20130706
20130213
Ou, talvez, no caso de se tratar de um labirinto, nele alguém caminhe, em vez de mim.
pintura de Sophie Matisse (pormenor)
“(…) essas portas, vulgares, de aspecto talvez um pouco
antigo, não dão para parte alguma. São apenas portas, quer dizer, erguem-se
nessa superfície imensa sem estarem ligadas a qualquer espécie de estrutura.
Fechando os olhos - e
eis o segundo facto que me leva a supor tratar-se de um labirinto - a mesma
superfície se estende, branca e infindável(…).
Nele erro ao acaso, há bastante tempo, peregrino de um
estranho caminho. Ou, talvez, no caso de se tratar de um labirinto, nele alguém
caminhe, em vez de mim.”
De «Aparecimentos», ed. autor, 1989
20130211
Fico parado no eco dos meus passos
Fico
parado no eco dos meus passos.
Fixo-me
num som. Preciso de um som que não tenha sido produzido por mim.
Esta aparente liberdade que é a ausência, requere
uma materialidade que só um som exacto pode proporcionar. Face ao caos da
correria das infantas, o som pesado do cortinado a abrir-se e a voltar ao seu lugar, deixado
pela mão de José Nieto Velázquez, é a saída que preciso para não ficar
eternamente preso nesse local.
José Nieto, sei lá porquê, chama o cão que
numa correria atravessa toda a sala e sai.
E
eu fico parado.
Sem
querer parecer presunçoso, penso agora que passei grande parte da minha vida a
tentar sair desta pintura, deste local, ou a tentar voltar a ele sempre que me afasto.
E que perdi uma das minhas grandes oportunidades.
20130208
.
pintura de Sophie Matisse
Velasquez
fez-se representar a si próprio, segundo se crê, pintando os reis de Espanha e
as infantas e aias que o terão infernizado mais do que uma clássica sessão de pintura
tolera.
Sophie
Matisse fez o favor de os fazer desaparecer a todos de cena.
Imagino cada um entregue às tarefas que a
libertação da pose lhes permitiu.
Uma vez, noutro contexto, li uma observação de
Walter Benjamin referindo-se ao facto de, nas fotografias antigas, aqueles que
posavam entrarem dentro das imagens devido à rigidez da postura e ao tempo da
imobilidade da pose.
Aqui
é precisamente o oposto. Sophie não os liberta, porque o peso da história os recolocará no seu
lugar. O que Sophie faz é libertar-me a mim que passo a vida a olhar para esta pintura,
e deixar-me um som que consiste basicamente em ouvir o eco dos meus próprios
passos a cirandar pela galeria deserta.
Este
texto é dedicado a Daniel Rodriguez, filósofo argentino cujas observações em
relação a algumas das minhas fotografias me têm obrigado a pensar. Obrigado.
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