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20190118
20150616
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Normalmente
hesito entre Proust, os espaços abertos e coisa nenhuma. Regra geral prefiro
coisa nenhuma.
Agora,
com esta espécie de cansaço, escolher é-me mais difícil ainda.
Não
me apetece nem palavras nem sons, mesmo
sob a forma de canto.
Música
barroca instrumental, ou vagas, era o que me convinha. Tudo o resto me parece
apenas barulho.
O
maior estrago de todos é saber que isso me é impossível.
No
fundo desconfio que possa haver uma estúpida ideia de imortalidade por debaixo
da capa da minha preguiça.
20150609
20150531
20150527
20141030
20140703
20140701
A casa
Nos meus
sonhos, entre os seis e os doze ou treze anos, era recorrente aparecer sempre a
mesma casa, uma casa onde nunca encontrei qualquer pessoa e que ainda tinha
alguma mobília, muito antiga e com cortinas invulgarmente grenás e pesadas.
O mobiliário era quase todo constituído por
móveis de parede. O soalho parecia-me enorme, assim como os tectos,
invulgarmente altos. Não me recordo de ter visto qualquer janela.
Nela entrava
por umas escadas de madeira intermináveis que me davam acesso a um número
imprevisível de divisões, já que a casa, no seu interior, se alterava, criando
ela própria novas escadas, pátios interiores, divisões inesperadas. O meu sonho
iniciava-se sempre já a meio da subida dessas escadas.
A casa, embora
reduzida a menos de um terço do mobiliário e sem qualquer habitante, não
apresentava qualquer sinal de pó ou de degradação nos materiais. Nunca lá
encontrei algum livro ou apesar das suas dimensões, qualquer escritório ou
biblioteca.
Este sonho repetiu-se incontáveis vezes a tal ponto que, ainda hoje, se
encontrasse esse sítio, o reconheceria sem dificuldade.
Nas próximas fotografias, é como
se regressasse simbolicamente a esse lugar passados quarenta e dois anos, e o
meu maior prazer vai ser descobrir não uma mas várias janelas… e elas darão
para o mar, porque é assim que eu quero e me apetece.
20121021
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