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20150616

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Normalmente hesito entre Proust, os espaços abertos e coisa nenhuma. Regra geral prefiro coisa nenhuma.
Agora, com esta espécie de cansaço, escolher é-me mais difícil ainda.
Não me apetece nem palavras nem sons,  mesmo sob a forma de canto.
Música barroca instrumental, ou vagas, era o que me convinha. Tudo o resto me parece apenas barulho.
O maior estrago de todos é saber que isso me é impossível.
No fundo desconfio que possa haver uma estúpida ideia de imortalidade por debaixo da capa da minha preguiça.



20140701

A casa



Nos meus sonhos, entre os seis e os doze ou treze anos, era recorrente aparecer sempre a mesma casa, uma casa onde nunca encontrei qualquer pessoa e que ainda tinha alguma mobília, muito antiga e com cortinas invulgarmente grenás e pesadas.
 O mobiliário era quase todo constituído por móveis de parede. O soalho parecia-me enorme, assim como os tectos, invulgarmente altos. Não me recordo de ter visto qualquer janela.
Nela entrava por umas escadas de madeira intermináveis que me davam acesso a um número imprevisível de divisões, já que a casa, no seu interior, se alterava, criando ela própria novas escadas, pátios interiores, divisões inesperadas. O meu sonho iniciava-se sempre já a meio da subida dessas escadas.
A casa, embora reduzida a menos de um terço do mobiliário e sem qualquer habitante, não apresentava qualquer sinal de pó ou de degradação nos materiais. Nunca lá encontrei algum livro ou apesar das suas dimensões, qualquer escritório ou biblioteca.
Este sonho repetiu-se incontáveis vezes a tal ponto que, ainda hoje, se encontrasse esse sítio, o reconheceria sem dificuldade.

Nas próximas fotografias, é como se regressasse simbolicamente a esse lugar passados quarenta e dois anos, e o meu maior prazer vai ser descobrir não uma mas várias janelas… e elas darão para o mar, porque é assim que eu quero e me apetece.