20130211

Fico parado no eco dos meus passos




Fico parado no eco dos meus passos.
Fixo-me num som. Preciso de um som que não tenha sido produzido por mim.
 Esta aparente liberdade que é a ausência, requere uma materialidade que só um som exacto pode proporcionar. Face ao caos da correria das infantas, o som pesado do cortinado  a abrir-se e a voltar ao seu lugar, deixado pela mão de José Nieto Velázquez, é a saída que preciso para não ficar eternamente preso nesse local.
 José Nieto, sei lá porquê, chama o cão que numa correria atravessa toda a sala e sai.
E eu fico parado.
Sem querer parecer presunçoso, penso agora que passei grande parte da minha vida a tentar sair desta pintura, deste local, ou a tentar voltar a ele sempre que me afasto. E que perdi uma das minhas grandes oportunidades.

4 comentários:

Ivone Costa disse...

José Manuel, ainda temos de formar um clube com os que ficaram parados neste quadro. Eu também.

José Manuel Vilhena disse...

:))

Anna Amorim disse...

penso nesta pintura suspensa no espaço-tempo da lembrança do nosso reflexo no olhar de um outro.

belo texto, pleno em profundidades

José Manuel Vilhena disse...

...como um jogo de espelhos.
Obrigado pela visita e comentário,Anna.