20150913

O mais belo e acertado texto sobre a minha mãe




A minha avó.
Delicada, sensível, etérea. De olhar profundo, transparente. De alma quente, vulcânica, apaixonada. Passo apressado, escorregadio. Real no porte.
Encantadora. De uma elegância rebelde. Leve, livre, solta. Mãos pequenas. À procura.
Amor ansioso, sôfrego. Entrega total, exigente e insegura. Inquieta.
Um mar de sentimentos. Brancos, negros, vermelhos e azuis. O sussurro da tranquilidade no grito das minhas agitações‎. O calor do colo. A suavidade dos beijos. A presença constante, completa.
Um corpo pequeno. Veloz. Uma mente curiosa. Desassossegada. Os sentidos. Todos. Juntos. Indomáveis. A eterna alegria inocente. O azul pleno da calma. O perfume dos sentimentos. A força do ser. O desejo do nós. A dúvida. A certeza. A cumplicidade.
A minha avó é sangue. Do meu. Do nosso. Do que não segue o curso das promessas. A minha avó é família. É união. Na presença, na ausência, nas partilhas, nas frustrações. A minha avó é ‎um oceano. De riso, lágrimas e ternura. A minha avó é um refúgio. Azul. Puro. São. A minha avó é amor. Do que desafia, do que transforma, do que liberta.

Em Londres, neste Outono antecipado, ela é o que falta. Numa voz doce, num olhar desejoso e num aconchego apertado, voando entre pingos de luar, sonhos imateriais e lugares mágicos, num brilho inconfundível, ela é tudo o que falta aqui.

(Obrigado  pelo surripianço, feito daqui: http://ohnonotanotheremigrationblog.blogspot.pt/

12 comentários:

  1. No me atrevo a terminar de pensar la razón de estas últimas dos entradas. Sólo diré desde mi corazón que ella siempre falta

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  2. Do fundo do coração, Madalena,Daniel, Graça, Laura e Joaninha, o meu sentido abraço.

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  3. Li este texto no outro blogue, o dos desenhos.
    E fiquei encantado com a sua avó e com a visão que tem dela.
    Também gosto da sua fotografia, pois claro...
    Abraço, caro José.

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    1. Temo algum equívoco por me ter explicado mal. A minha mãe faleceu e o texto e a fotografia são de uma querida sobrinha e neta dela.
      O importante é que estamos de acordo quanto à qualidade do texto e, nesse aspeto, confio na sua sensibilidade de poeta.
      :)
      um abraço

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    2. Não vi o "surrupianço"...
      Mas eu sou algo distraído...
      E a referência à "fotografia" era genérica, pelas fotos que faz e vi, e não à foto do post.
      Obrigado pelo esclarecimento.
      Entretanto dei um salto ao blogue da surripiada e vi lá o texto...
      Um abraço, caro José.

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