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20161016
20160129
20160120
20160108
20150407
20150325
20141102
.
Claro que quando repetes que se não tiveres o cd, sei
lá qual é do raio dos standards do Keith Jarrett sem o qual dizes que não
consegues conduzir até lá, e é um funeral, ou uma inauguração, ou um almoço de
família, eu sei que é verdade mas não me interessa. Deixei de argumentar. Já
nem me apetece irritar-te com a história do homem, o pianista, guinchar, disse
M com a voz um pouco mais rouca do que o habitual.
J. não disse nada. Já há muito tempo que não
encontrava esse disco. Acho que tinha mesmo desistido de o procurar. Deixara de qualquer modo de ir onde quer que
fosse muito antes de o homem ter composto a obra. Estupidamente esta ideia
fê-lo envaidecer-se subitamente, como se houvesse qualquer razão para tal.
20140621
Aproximações erráticas à ruinologia
A ruinologia não aprecia o decrépito, embora procure a
natural ação do tempo sobre as construções e a glória humana. O Tempo, esse
“Grande escultor”, como dizia Yourcenar, é o seu único aliado.
Não se congratula com
a ruína no sentido em que o fazia Constantin-François Volney em 1787, no
decorrer de uma viagem ao Egipto e à Síria, em que as ruínas, politicamente,
confirmavam a queda do poder e por isso o extasiavam. Tão pouco recomenda
materiais prevendo o aspeto que venham a ter , como J. Ruskin, em 1849.
Parece ficar mais a
dever a Delille que, em 1782, se insurgiu a favor da “inimitável marca do
tempo” que tanto o fascinava. A ruinologia não deixa no entanto de ser uma
espécie de geografia interior e, sob esse aspeto, um cenário.
O ruinólogo não toca nem altera o que quer que seja.
Regressa, esperando o tempo que for necessário. Nesse cálculo está um
conhecimento que aproxima o ruinólogo do amante de livros antigos, embora não
conheça nenhum livro que inicie, na arte, o ruinólogo amador.
Só percebe de ruinologia quem sonha. Nesse sentido ela pode
ser romântica, na aceção que foi atribuído à palavra para caraterizar parte do
século XIX.
A ruinologia só é uma ciência se a for no sentido em que
afirmava um monge cisterciense, segundo o qual o Amor é uma forma de
conhecimento. A poesia é-o e, nesse sentido, a ruinologia não o é menos.
20140615
20140410
20140409
20140407
20140405
20140322
20140212
20140211
20140209
Uma estrela por muito menos
Atraem-me as vertigens.
Descobri isso de uma forma estranha, a ouvir Erik Satie.
Sempre me intrigou o efeito que as suas Gymnopédies exerciam sobre mim.
Aquela calma tinha qualquer coisa da calma das falésias. Conheço-lhes
os efeitos intrigantes, as seduções hipnóticas, os resultados.
Não gosto de vento mas aprecio uma boa tempestade. Na costa vicentina
esta aparente contradição acontece com frequência.
A primeira vez que ouvi Erik Satie foi num sítio assim, dentro de um
carro. Andei perto de oitenta quilómetros após um jantar para ouvir as
Gymnopédies no meio de um tempo que, de acordo com as previsões, assegurava vendaval.
Acho que nunca cheguei a ir embora nem nunca me apeteceu sair dessa
pintura de Turner com óleos a cheirar a maresia e a esteva. Erik Satie ouvido
através de uma pintura de Turner com um cheiro de vagas marítimas e esteva.
Um amigo ,que faz o favor de me aturar os entusiasmos e os exageros,
disse-me uma vez com um prazer imenso “fogo, já ouvi falar de tipos que
ganharam uma estrela ( no Michelin) por muito menos.”
20131124
20121102
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