20151020
20151017
20151007
20150930
20150926
20150924
20150917
20150913
O mais belo e acertado texto sobre a minha mãe
A minha avó.
Delicada, sensível, etérea. De olhar profundo, transparente.
De alma quente, vulcânica, apaixonada. Passo apressado, escorregadio. Real no
porte.
Encantadora. De uma elegância rebelde. Leve, livre, solta.
Mãos pequenas. À procura.
Amor ansioso, sôfrego. Entrega total, exigente e insegura.
Inquieta.
Um mar de sentimentos. Brancos, negros, vermelhos e azuis. O
sussurro da tranquilidade no grito das minhas agitações. O calor do colo. A
suavidade dos beijos. A presença constante, completa.
Um corpo pequeno. Veloz. Uma mente curiosa. Desassossegada.
Os sentidos. Todos. Juntos. Indomáveis. A eterna alegria inocente. O azul pleno
da calma. O perfume dos sentimentos. A força do ser. O desejo do nós. A dúvida.
A certeza. A cumplicidade.
A minha avó é sangue. Do meu. Do nosso. Do que não segue o
curso das promessas. A minha avó é família. É união. Na presença, na ausência,
nas partilhas, nas frustrações. A minha avó é um oceano. De riso, lágrimas e
ternura. A minha avó é um refúgio. Azul. Puro. São. A minha avó é amor. Do que
desafia, do que transforma, do que liberta.
Em Londres, neste Outono antecipado, ela é o que falta. Numa
voz doce, num olhar desejoso e num aconchego apertado, voando entre pingos de
luar, sonhos imateriais e lugares mágicos, num brilho inconfundível, ela é tudo
o que falta aqui.
(Obrigado pelo surripianço, feito daqui: http://ohnonotanotheremigrationblog.blogspot.pt/
20150906
20150902
20150829
Regresso
É quase Setembro. Regresso pela
mão de uma das infantas de Velasquez saída do quadro e que, como eu, vagueava
sem grande rumo numa imensa tarde espanhola. Chego em boa companhia, disso
tenho a certeza.
20150629
Desentraçar

Tenho o maior gosto se quiserem passar pelo ainda principiante sítio para "desentraçar" sobretudo desenhos (é só clicar, embora pareça ,eu sei,tão longe...)
20150621
20150619
20150617
Música para aeroportos
Eu não tenho
ouvido para a música. Limito-me a fechar os olhos e ouvi-la. Não me recordo de
uma única referência numa pauta ou frase musical referindo este órgão para
semelhante coisa.
Saber fechar os
olhos não estando a dormir é uma arte, isso posso assegurar, disse-te.
Há uma outra
coisa fantástica que é nunca se falar daquilo que não se sabe.
Nessa altura tive
a necessidade de te explicar porque passava tanto tempo a ouvir Brian Eno e a
olhar para o mar, calado.
Recordo-me de nos
termos rido porque era música “For Airports”. O que nos fez rir foi esta
conversa ter ocorrido nas falésias da costa vicentina e eu ter dito
“precisamente”, com um ar absoluto de quem sabe do que fala.
Ainda devo ter
acrescentado, mas um pouco mais tarde, o Verão chega sempre de repente e parte
rápido, como um punhal, ou uma traição. Sei do que falo. Fiz as contas.
“Aproxima-se a
época em que os corpos, até chegar Setembro, começam a entrar dentro das
histórias que vivem ou, por causa das marés, criam dentro de si. Mas isso é
indiferente, porque o resultado final é idêntico.” Tenho quase a certeza de que
foi mais ou menos isto que me respondeste. Ponho entre aspas porque nunca
costumavas falar assim.
Há
noites em que não conseguimos dormir na nossa cama. A razão, tirando um ou
outro pormenor técnico que tem a ver com molas e colchões, é simples. A nossa
cama é o único móvel fixo em casa. Estou cada vez mais convencida de que se
dormíssemos de outra forma não constituía problema de maior partir.
Isso
disseste-me, e tenho a certeza porque fecho os olhos e sei que nunca mais nos
voltámos a ver. Volto a ouvir a «música para aeroportos» e tenho a certeza.
Fecho os olhos. Não consigo adormecer e a única coisa que me vem com clareza à
cabeça é a ideia de a cama ser sempre a mesma.
20150616
.
Normalmente
hesito entre Proust, os espaços abertos e coisa nenhuma. Regra geral prefiro
coisa nenhuma.
Agora,
com esta espécie de cansaço, escolher é-me mais difícil ainda.
Não
me apetece nem palavras nem sons, mesmo
sob a forma de canto.
Música
barroca instrumental, ou vagas, era o que me convinha. Tudo o resto me parece
apenas barulho.
O
maior estrago de todos é saber que isso me é impossível.
No
fundo desconfio que possa haver uma estúpida ideia de imortalidade por debaixo
da capa da minha preguiça.
20150615
20150614
20150609
20150531
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