Fotografia do meu outro blogue http://avizalentejo.blogspot.pt/
20141008
20141003
20141001
20140922
20140918
As palavras
E apetecia-te morrer. Claro que é uma palavra da qual não sabes nada. Invocar
uma palavra em vão e com desconhecimento é um ato leviano.
Sei para onde estavas a olhar quando o disseste. Conheço o poder dessas
falésias como conheço o poder de uma cadeira virada para a planície sob um
alpendre, a sul.
Invocar palavras em vão é um ato insensato sobretudo porque nunca
saberemos que raio de efeitos podem provocar esses textos em quem os lê.
Tinhas obrigação de saber que quem nos ama ouve essas palavras como se
as lesse.
20140914
20140911
20140907
20140830
20140829
Talvez um pouco sobre Setembro também
Na realidade
preciso de coisas extremas e imensas.
Se quiser ser rigoroso, e uma vez que impus a mim mesmo referir apenas
duas, devo então mencionar as gymnopédies e uma
semente que consegui que crescesse, praticamente criada à mão num vaso que
levei para onde ia, ao longo de umas loucas férias na costa vicentina. São
coisas destas a que me refiro.
Das que mais me impressionaram até hoje foi o silêncio e a leitura. Se
tivesse que escolher apenas uma escolhia o silêncio da leitura.
Escrever é uma matéria que não cabe aqui. Tal como o silêncio, assunto
que me interessa muito.
Ai sim… dizes-me. Disseste que ias falar sobre faróis por causa daquela
fotografia que me intriga.
Mas é precisamente sobre isso que estive a escrever, respondo, com a cara
de quem confia que uma mão cheia de perceves uma cerveja e um beijo o podem
salvar, para além da convicção de que esteve a escrever precisamente sobre
isso. Talvez um pouco sobre setembro, concedo, embora não veja muito bem que
diferença faz.
20140825
Sonhos e esgotamentos
1
Aproximo-me de
um lago com a intenção de lhe atirar uma pedra.
Existem imensos seixos nas margens desse lago
cujo tom azul-escuro sugere águas frias e profundas.Agarro num deles. Nesse sonho demorei uma imensidão de tempo a escolhê-lo não sei porquê.
Estive um tempo inusitado a sopesá-lo na mão, rolando-o entre o olhar e os dedos.
2
Quando o
atirei, primeiro ouviu-se o tradicional pouuf da queda na água. O que mais estranhei foi não ter causado a mínima ondulação, seguido do desaparecimento de qualquer impacto. Pura e simplesmente os sons desapareceram.
Esse desaparecimento, que não tinha nada a ver com a surdez, resgatou-me de um cansaço imenso.
Durante os breves instantes que durou esse momento ,percebi perfeitamente as pessoas cujo alimento é o silêncio.
3
Gostava de ir andando
até me deixar tapar por um lago de silêncio, pensei.
4
Os sons
normalmente maçam-me.
Abro uma
exceção para um som que me transporta para as tonalidades da esperança.
Refiro-me à flauta dos amola-tesouras. É um som que já ouvia desde a infância. Tornou-se
raro e permanece antigo. Dizem que adivinha a chuva, o que o torna familiar e
suportável. Não seria por sua causa que o meu lago de silêncio secava.
20140817
Nunca me lembro de Agosto ter conseguido chegar ao fim
Nunca me
lembro de Agosto ter chegado ao fim. Setembro sempre entrou por esse mês dentro
com o seu cortejo de desaparecimentos , saudades antes de tempo e consequentes
nostalgias.
Todos os
antigos amores de verão partiam antes da altura.
O verão e as
conchas vazias nos bolsos ou algas secas a marcarem páginas de livros lidos
durante o estio sempre foram sugados Setembro dentro, como marés vivas.
20140815
Agosto
Conheço
sítios onde só se consegue chegar a pé, outros de carro ou de barco. Outros
ainda pela memória e pelos sonhos, que são os que me interessam mais.
Prefiro este
meio de transporte alimentado a amores e amizades antigas e sal. Há uma
sabedoria da pele a este respeito que não troco por nenhum mapa.
20140714
20140712
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20140705
20140703
20140701
A casa
Nos meus
sonhos, entre os seis e os doze ou treze anos, era recorrente aparecer sempre a
mesma casa, uma casa onde nunca encontrei qualquer pessoa e que ainda tinha
alguma mobília, muito antiga e com cortinas invulgarmente grenás e pesadas.
O mobiliário era quase todo constituído por
móveis de parede. O soalho parecia-me enorme, assim como os tectos,
invulgarmente altos. Não me recordo de ter visto qualquer janela.
Nela entrava
por umas escadas de madeira intermináveis que me davam acesso a um número
imprevisível de divisões, já que a casa, no seu interior, se alterava, criando
ela própria novas escadas, pátios interiores, divisões inesperadas. O meu sonho
iniciava-se sempre já a meio da subida dessas escadas.
A casa, embora
reduzida a menos de um terço do mobiliário e sem qualquer habitante, não
apresentava qualquer sinal de pó ou de degradação nos materiais. Nunca lá
encontrei algum livro ou apesar das suas dimensões, qualquer escritório ou
biblioteca.
Este sonho repetiu-se incontáveis vezes a tal ponto que, ainda hoje, se
encontrasse esse sítio, o reconheceria sem dificuldade.
Nas próximas fotografias, é como
se regressasse simbolicamente a esse lugar passados quarenta e dois anos, e o
meu maior prazer vai ser descobrir não uma mas várias janelas… e elas darão
para o mar, porque é assim que eu quero e me apetece.
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