A ruinologia não aprecia o decrépito, embora procure a
natural ação do tempo sobre as construções e a glória humana. O Tempo, esse
“Grande escultor”, como dizia Yourcenar, é o seu único aliado.
Não se congratula com
a ruína no sentido em que o fazia Constantin-François Volney em 1787, no
decorrer de uma viagem ao Egipto e à Síria, em que as ruínas, politicamente,
confirmavam a queda do poder e por isso o extasiavam. Tão pouco recomenda
materiais prevendo o aspeto que venham a ter , como J. Ruskin, em 1849.
Parece ficar mais a
dever a Delille que, em 1782, se insurgiu a favor da “inimitável marca do
tempo” que tanto o fascinava. A ruinologia não deixa no entanto de ser uma
espécie de geografia interior e, sob esse aspeto, um cenário.
O ruinólogo não toca nem altera o que quer que seja.
Regressa, esperando o tempo que for necessário. Nesse cálculo está um
conhecimento que aproxima o ruinólogo do amante de livros antigos, embora não
conheça nenhum livro que inicie, na arte, o ruinólogo amador.
Só percebe de ruinologia quem sonha. Nesse sentido ela pode
ser romântica, na aceção que foi atribuído à palavra para caraterizar parte do
século XIX.
A ruinologia só é uma ciência se a for no sentido em que
afirmava um monge cisterciense, segundo o qual o Amor é uma forma de
conhecimento. A poesia é-o e, nesse sentido, a ruinologia não o é menos.
