20140426
20140425
Esse sedimento de palavras cheias de coisas dentro.
Regresso e agarro-me
ao que me lembro como se isso me salvasse. E eu preciso cada vez mais de sons
dentro da minha cabeça, sons de coisas que aí cresçam. Pode ser o nome de um
livro, ou um excerto extraído talvez das suas páginas, não sei bem. Não tem a
ver com o amor, não é um nome, não é o nome de ninguém.
Pode ser de um chá antigo, ou de
uma rua, de um hotel que já desapareceu.
Se me esforçasse conseguiria
saber o grau de humidade quase exata dos sítios onde dormi ao longo da minha
vida. Dormir é uma atividade séria, adormecer em sítios desconhecidos requer
que se confie, ou se esteja imensamente exausto, ou apaixonado, o que em termos
de resultados é difícil de distinguir. De qualquer forma é a memória dessa
humidade que me permite distinguir uma casa abandonada em Sintra ou em Avignon
do quarto de um hotel em Istambul. Só depois vem a luz
Acho que consigo recordar o exato
momento em que apaguei a luz em todos os quartos ou sítios onde adormeci. Em
contrapartida dava tudo por saber que livros estava a ler, em que páginas
exatas os interrompi.
Mais os livros que transportava
dentro de mim. Só sei os livros que transportava dentro de mim depois. A razão
é que nem sempre coincidem com os livros que estava ou não a ler. Com o tempo
tenho tendência a ligar menos aos enredos e mais ao que deixam .
Esse sedimento de palavras cheias de coisas dentro.
20140420
20140418
20140411
20140410
20140409
20140407
20140406
20140405
20140328
20140324
20140322
20140319
20140316
20140313
20140311
20140308
20140306
20140304
Da raridade dos sons mergulhados em silêncio.
Venho para o Alentejo à procura da raridade dos
sons mergulhados em silêncio.
Um homem passa e eu ouço-lhe os passos como se
fosse a única coisa do mundo. Esta qualidade dos sons só a encontro aqui.
Se uma criança ri, ou a sua mãe ralha e uma
motorizada passa, eu ouço as três coisas em simultâneo mas cada uma com uma
limpidez quase absoluta.
É essa mesma claridade que pretendo para as minhas
fotografias.
20140301
Subscrever:
Mensagens (Atom)

