20131224
20131223
20131222
20131211
Repetições
Ah, mas tem aqui umas lindas flores que lhe deixou
a esposa, disse a rapariga.
C suspira como se esse gesto apagasse a luz. As
palavras chegam ao fim, quer dizer, deixam de se ouvir. Na realidade elas
continuam dentro de si com os seus pequenos ecos que o impedem de dormir.
Um fio de palavras, ou um veio de pequenos sons
cada vez mais longínquos, não mais do que isso.
(para o meu pai)
Ah, mas ele adorou as flores que lhe deixou, disse a rapariga.
A. sorri como se por esse gesto acendesse uma luz. Está cansada das
palavras, da repetição que implicam. Por isso as escreve como quem tece fios
idênticos aos que ajudaram os heróis antigos a sair dos labirintos. Um fio de
palavras.
Ninguém vai mudar a água às flores, pensa. Ninguém muda a água a
labirintos. E aflige-se .
(para a minha mãe)
20131124
20131109
20131001
20130801
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20130706
20130623
20130614
20130515
20130509
20130505
Um novo blogue essencialmente fotográfico. Sobre Avis. No Alentejo.
Se clicar aqui como quem empurra um bocadinho a porta, vai ter a um outro blogue por onde ando de vez em quando. Paixões...
20130429
20130427
20130419
20130418
O ouvidor de búzios ou de livros, talvez as duas coisas misturadas.
“Agarras num búzio e encosta-lo ao ouvido, ou cheiras um
livro acabado de comprar, não necessariamente por esta ordem. Quando estiveres
preparado para perceber que esse cheiro te pode levar sem dares por isso a um
verão ou a uma praia ou esse som a um livro, conto-te o resto”, disseste-me.
A vida afastou-nos. Já era muito antes dessa
altura uma espécie de ouvidor de livros, ou de búzios, talvez as duas coisas
misturadas. Omiti-te essa faceta minha durante um tempo demasiado. Quando
partiste nunca imaginei que grande parte do meu tempo seria passado a tentar descobrir
o que seria o resto. Que ainda o faço.
20130417
Pode ser por isso. O mar.
Uma espécie de voz quando toca, digo-te. Um som que vem de
dentro e não se dirige especialmente para nenhum lado.
Chet Baker, dizes-me. Rimos. Ouvimo-lo um pouco mais e
ficamos tanto tempo apenas a ouvir.
Até alguém dizer de novo esse nome. É estranho, porque nos
olhamos como se voltássemos ao fim de muito tempo de qualquer sítio.
Alguém dirá então põe outra música. Embora tudo nos pareça
estranho saímos para comprar cigarros, que é a única coisa que aos olhos dos
outros poderá ser compreensível.
Mas ouvia-se o mar, perguntas-me. Talvez, digo. Só me
recordo de termos ficado um tempo infindo deitados de costas no chão a olhar
para as nuvens. Pode ser por isso. O mar.
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