Uma espécie de voz quando toca, digo-te. Um som que vem de
dentro e não se dirige especialmente para nenhum lado.
Chet Baker, dizes-me. Rimos. Ouvimo-lo um pouco mais e
ficamos tanto tempo apenas a ouvir.
Até alguém dizer de novo esse nome. É estranho, porque nos
olhamos como se voltássemos ao fim de muito tempo de qualquer sítio.
Alguém dirá então põe outra música. Embora tudo nos pareça
estranho saímos para comprar cigarros, que é a única coisa que aos olhos dos
outros poderá ser compreensível.
Mas ouvia-se o mar, perguntas-me. Talvez, digo. Só me
recordo de termos ficado um tempo infindo deitados de costas no chão a olhar
para as nuvens. Pode ser por isso. O mar.