Fotografia de Erno Vadas
Em
si mesma, a luz só parece ganhar vida quando sobre ela incide um olhar.
Numa
belíssima fotografia de Erno Vadas intitulada “Guardadora de gansos na Hungria”
a luz parece emanar das coisas, como se fossem elas que por si só se
iluminassem, ou se acendessem por uma qualquer e misteriosa causa.
Uma
transpiração de luz sem sombra de dúvida provocada por um olhar, o do
fotógrafo, como se pudesse deduzir por esse excesso de beleza que o autor se
encontraria apaixonado. Pela Hungria ou pela própria beleza, o que para todos
os efeitos para ele seria o mesmo.
Que
um outro ser ausente da fotografia possa estar por detrás deste jogo de incêndios
não me admiraria nada.
Fotografia de Émile Frechon
É
ainda essa mesma luz que numa fotografia de Émile Frechon parece ser absorvida
por um corpo, transformando-se num véu. Toda a luz do mundo não conseguiria
atravessar a cortina desses olhos. Essas duas lagoas só são navegáveis por
outro olhar, esse estranho e antiquíssimo meio de transporte.
(texto reeditado)




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