20120324

Uma ferida de luz




Parou e olhou para a luz, para o rendilhado que esta tecia no chão, na ferida deixada na árvore. Uma ferida de luz, disse. A luz pode ferir. Como o silêncio um pouco hostil dos sítios que de repente se tornam outros. Ou porque crescemos. Ou porque ainda não crescemos. Ou por qualquer outro motivo.

20120303

Atlas




“ A trezentos ou quatrocentos metros da pirâmide, baixei-me, peguei num punhado de areia, deixei-o cair silenciosamente um pouco mais longe e disse em voz discreta: Estou a transformar o Sahara. O facto era mínimo mas na sua banalidade as minhas palavras eram exactas e pensei que tinha sido precisa toda uma vida para as poder pronunciar. A recordação deste instante é uma das mais significativas da minha estada no Egipto.”

J.L.Borges, «Atlas»

20120219