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Pequenas construções inabitáveis
pintura de João Mendão
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Camadas de coisas sobrepostas, nomes, memórias, visões brancas e luminosas, máscaras. Uma relativa paz momentânea e ardentemente desejada. Um ou outro ardor, curiosidades por vezes novas, pouco mais. Às vezes nada.
Pequenas construções inabitáveis, desaparecimentos vários.
(de Ruinologias)
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Camadas de coisas sobrepostas, nomes, memórias, visões brancas e luminosas, máscaras. Uma relativa paz momentânea e ardentemente desejada. Um ou outro ardor, curiosidades por vezes novas, pouco mais. Às vezes nada.
Pequenas construções inabitáveis, desaparecimentos vários.
(de Ruinologias)
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20110924
"Os cavalos de Tarquínia"
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___________Pouco antes de o meu filho João nascer, decidiu-se que o sítio mais adequado para ficar em estado de espera seria no Luso, e assim sucedeu. Instalámo-nos no Luso durante meio verão e só saía do quarto do hotel para ir a Coimbra comprar livros da M. Duras. Voltava e lia-os. Em especial “O marinheiro de Gibraltar” e “Os cavalos de Tarquínia”, não me recordo do terceiro porque não deve ter corrido bem a leitura.
Saíamos do Luso, íamos a Coimbra comprar livros, voltávamos e liamo-los. Nunca mais voltei a estar grávido num verão. Nem a ter vontade de usar roupa tão clara, reparo agora olhando para as fotografias.
20110919
Apenas tenho procurado registar isso numa imagem
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A ideia da série fotográfica “narrativas abertas” nasceu de uma visão. Passo a explicar.
Há uns dois anos, no Alentejo, à noite, para aí umas nove e meia da noite, fui dar uma volta a pé por causa do calor. De repente, numa esquina, inesperadamente uma vez que não havia ninguém na rua, aparece-me um cachorro novinho a contorná-la a grande velocidade, derrapando antes de seguir em frente. Seguiu-se um grande silêncio e eis que exactamente do mesmo sítio onde tinha ficado especado de surpresa, me aparece uma menina dos seus sete anos a correr atrás do bicho mas sem o chamar. De repente a menina pára, ou trava, no caso trava só para me dizer boa noite com a voz mais angélica e cristalina que se possa imaginar e desaparece na esquina seguinte seguindo o animal.
Já me têm dito que a dita série é das coisas mais esotéricas que tenho feito. Só conto este episódio sem nenhuma vontade de o complicar porque foi exactamente assim que se passou.
Os intervalos entre os sons, os passos, a sua ausência, numa pontuação extraordinária nunca mais me saíram da cabeça. Apenas tenho procurado registar isso numa imagem.
A ideia da série fotográfica “narrativas abertas” nasceu de uma visão. Passo a explicar.
Há uns dois anos, no Alentejo, à noite, para aí umas nove e meia da noite, fui dar uma volta a pé por causa do calor. De repente, numa esquina, inesperadamente uma vez que não havia ninguém na rua, aparece-me um cachorro novinho a contorná-la a grande velocidade, derrapando antes de seguir em frente. Seguiu-se um grande silêncio e eis que exactamente do mesmo sítio onde tinha ficado especado de surpresa, me aparece uma menina dos seus sete anos a correr atrás do bicho mas sem o chamar. De repente a menina pára, ou trava, no caso trava só para me dizer boa noite com a voz mais angélica e cristalina que se possa imaginar e desaparece na esquina seguinte seguindo o animal.
Já me têm dito que a dita série é das coisas mais esotéricas que tenho feito. Só conto este episódio sem nenhuma vontade de o complicar porque foi exactamente assim que se passou.
Os intervalos entre os sons, os passos, a sua ausência, numa pontuação extraordinária nunca mais me saíram da cabeça. Apenas tenho procurado registar isso numa imagem.
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