pintura de João Mendão
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Camadas de coisas sobrepostas, nomes, memórias, visões brancas e luminosas, máscaras. Uma relativa paz momentânea e ardentemente desejada. Um ou outro ardor, curiosidades por vezes novas, pouco mais. Às vezes nada.
Pequenas construções inabitáveis, desaparecimentos vários.
(de Ruinologias)
20111201
20111127
20111119
20111111
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20111030
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20111018
20111011
20111007
20110930
20110929
20110928
20110924
"Os cavalos de Tarquínia"
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___________Pouco antes de o meu filho João nascer, decidiu-se que o sítio mais adequado para ficar em estado de espera seria no Luso, e assim sucedeu. Instalámo-nos no Luso durante meio verão e só saía do quarto do hotel para ir a Coimbra comprar livros da M. Duras. Voltava e lia-os. Em especial “O marinheiro de Gibraltar” e “Os cavalos de Tarquínia”, não me recordo do terceiro porque não deve ter corrido bem a leitura.
Saíamos do Luso, íamos a Coimbra comprar livros, voltávamos e liamo-los. Nunca mais voltei a estar grávido num verão. Nem a ter vontade de usar roupa tão clara, reparo agora olhando para as fotografias.
20110919
Apenas tenho procurado registar isso numa imagem
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A ideia da série fotográfica “narrativas abertas” nasceu de uma visão. Passo a explicar.
Há uns dois anos, no Alentejo, à noite, para aí umas nove e meia da noite, fui dar uma volta a pé por causa do calor. De repente, numa esquina, inesperadamente uma vez que não havia ninguém na rua, aparece-me um cachorro novinho a contorná-la a grande velocidade, derrapando antes de seguir em frente. Seguiu-se um grande silêncio e eis que exactamente do mesmo sítio onde tinha ficado especado de surpresa, me aparece uma menina dos seus sete anos a correr atrás do bicho mas sem o chamar. De repente a menina pára, ou trava, no caso trava só para me dizer boa noite com a voz mais angélica e cristalina que se possa imaginar e desaparece na esquina seguinte seguindo o animal.
Já me têm dito que a dita série é das coisas mais esotéricas que tenho feito. Só conto este episódio sem nenhuma vontade de o complicar porque foi exactamente assim que se passou.
Os intervalos entre os sons, os passos, a sua ausência, numa pontuação extraordinária nunca mais me saíram da cabeça. Apenas tenho procurado registar isso numa imagem.
A ideia da série fotográfica “narrativas abertas” nasceu de uma visão. Passo a explicar.
Há uns dois anos, no Alentejo, à noite, para aí umas nove e meia da noite, fui dar uma volta a pé por causa do calor. De repente, numa esquina, inesperadamente uma vez que não havia ninguém na rua, aparece-me um cachorro novinho a contorná-la a grande velocidade, derrapando antes de seguir em frente. Seguiu-se um grande silêncio e eis que exactamente do mesmo sítio onde tinha ficado especado de surpresa, me aparece uma menina dos seus sete anos a correr atrás do bicho mas sem o chamar. De repente a menina pára, ou trava, no caso trava só para me dizer boa noite com a voz mais angélica e cristalina que se possa imaginar e desaparece na esquina seguinte seguindo o animal.
Já me têm dito que a dita série é das coisas mais esotéricas que tenho feito. Só conto este episódio sem nenhuma vontade de o complicar porque foi exactamente assim que se passou.
Os intervalos entre os sons, os passos, a sua ausência, numa pontuação extraordinária nunca mais me saíram da cabeça. Apenas tenho procurado registar isso numa imagem.
20110918
20110915
Títulos extraordinários a propósito de "A Ronda da Noite" e um beijo enorme para a Lígia
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Jantar num restaurante no Alentejo do qual já quase toda a gente saiu. O empregado vai baixando as luzes. Só já faltam duas mesas. Uma delas é a da frente que tinha uma indicação de reserva para a qual ninguém veio. A outra, cheia de copos, é a minha. Pago a conta e fico perto de vinte anos a pensar num bilhete deixado a propósito disso e a gozar comigo: “É a Ronda da Noite. Se fosse Rembrandt já não saia daqui” . Reflicto igualmente no facto de ter voltado e feito uma fotografia que pouco mudou em relação a esse dia.
O que se segue são três títulos imaginários e provavelmente muito densos a propósito dessa fotografia, da música de Rodrigo Leão em geral e da certeza que uma das pessoas mais elegantes que conheço a todos os níveis é uma miúda mais ou menos da minha idade que se chama Lígia Penim.
1
Ou quando te sentas e não dormes há quase dois dias. Podes escolher todos os motivos menos insónias porque ambos sabemos que não é isso.
2
Ou estabeleces uma linha para o silêncio a partir da qual ninguém entra e sabes que a ausência de ruído é uma coisa que só existe dentro de ti.
3
Ou um frio imenso que se põe à medida da noite e continuas a andar porque não és capaz de fazer o contrário disso. Sabes como é que costumam acabar estas histórias? Como quando se aluga um carro e se chega ao lado de lá depois de se ter atravessado os Estados Unidos.Com amigos.
Jantar num restaurante no Alentejo do qual já quase toda a gente saiu. O empregado vai baixando as luzes. Só já faltam duas mesas. Uma delas é a da frente que tinha uma indicação de reserva para a qual ninguém veio. A outra, cheia de copos, é a minha. Pago a conta e fico perto de vinte anos a pensar num bilhete deixado a propósito disso e a gozar comigo: “É a Ronda da Noite. Se fosse Rembrandt já não saia daqui” . Reflicto igualmente no facto de ter voltado e feito uma fotografia que pouco mudou em relação a esse dia.
O que se segue são três títulos imaginários e provavelmente muito densos a propósito dessa fotografia, da música de Rodrigo Leão em geral e da certeza que uma das pessoas mais elegantes que conheço a todos os níveis é uma miúda mais ou menos da minha idade que se chama Lígia Penim.
1
Ou quando te sentas e não dormes há quase dois dias. Podes escolher todos os motivos menos insónias porque ambos sabemos que não é isso.
2
Ou estabeleces uma linha para o silêncio a partir da qual ninguém entra e sabes que a ausência de ruído é uma coisa que só existe dentro de ti.
3
Ou um frio imenso que se põe à medida da noite e continuas a andar porque não és capaz de fazer o contrário disso. Sabes como é que costumam acabar estas histórias? Como quando se aluga um carro e se chega ao lado de lá depois de se ter atravessado os Estados Unidos.Com amigos.
20110914
Se nunca experimentaste como é que queres que te explique?
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E agora como é que te explico isto...de gostar de coisas fortíssimas e concentradas em tudo menos nos sumos. Odeio sumos fortes e concentrados.
Preciso de tardes de amor tão fortes... estiveste a comer mexilhões à espanhola e depois sais e dás contigo na costa da Caparica. E gostas. Gostas da costa da Caparica e das suas ondas estupidamente indomáveis. Quando pensas não trocava esta cena pela Riviera ou são três horas da tarde e estão um montão de graus e saíste à rua no Alentejo, quando pões os óculos escuros porque estavas quase a ficar cega do branco e do calor e te sentes no paraíso...é isso. Se nunca experimentaste nenhuma das duas coisas como é que queres que te explique?
E agora como é que te explico isto...de gostar de coisas fortíssimas e concentradas em tudo menos nos sumos. Odeio sumos fortes e concentrados.
Preciso de tardes de amor tão fortes... estiveste a comer mexilhões à espanhola e depois sais e dás contigo na costa da Caparica. E gostas. Gostas da costa da Caparica e das suas ondas estupidamente indomáveis. Quando pensas não trocava esta cena pela Riviera ou são três horas da tarde e estão um montão de graus e saíste à rua no Alentejo, quando pões os óculos escuros porque estavas quase a ficar cega do branco e do calor e te sentes no paraíso...é isso. Se nunca experimentaste nenhuma das duas coisas como é que queres que te explique?
20110912
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