20100829
20100827
Maresias .14
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“Se fechares os olhos percebes como não é preciso tropeçar nas coisas para saberes que elas existem. O seu eco propaga-se pelo tempo como campainhas chinesas por entre o nevoeiro, provavelmente viajantes ou barcos(…). Seu brilho tocar-te-á, uma suave queimadura, como os pés enterrando-se na areia, os pés enterrando-se na areia às três horas da tarde antes que consigas alcançar a água.”
de “Aparecimentos”, página 18. Podia ser, não podia? Mas aprendi as tuas subtilezas. Cinco minutos depois do tempo …. Atrasaste-te cinco minutos e nestes jogos que adoras nunca te atrasas…
É o quê?
Maresias .13
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Apanhei-te. Era na suspensão desta imagem que querias ficar. A casa das marés. É a casa das marés de que me falavas, não é?!?
Lembro-me de partes do texto: “Com o calor a única hipótese são os búzios, seus sons marítimos (…) não te esqueças de levar livros e presentes para ofereceres às deusas da fecundidade.” …
Tinhas que encontrar uma coisa sem a qual não podias voltar. E eram palavras, acho que eram palavras, na altura ainda acreditavas no seu poder mágico…
Mas agora acho que é uma imagem. Do que conheço de ti vais encontrar uma imagem que dirá precisamente “tenho que encontrar uma coisa sem a qual não posso voltar”. É por isso que de vez em quando as apagas e recomeças de novo, não é?
Não é preciso responderes-me. Vamos fazer um jogo. Dentro de meia hora pões a tua imagem. Eu ainda as sei ler, lembras-te?
20100826
20100824
20100822
20100817
Ruinologias
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O que me fascina nas ruínas é precisamente o facto de serem ruínas, e não o invocarem com maior ou menor legibilidade uma determinada época. Quando muito, à reconstituição arqueológica prefiro a reconstituição pelo sonho, essa doce neblina. O passado, “cientificamente” reposto, enfada-me por vezes tanto como o presente, ou mesmo o futuro.
J. Ruskin, em 1849, leva o seu entusiasmo estético pela ruína ao ponto de recordar aos arquitectos que pensem os materiais, o desenho e a estrutura em função do aspecto que o edifício deverá ter quando em ruínas. A precariedade de certas estruturas e materiais (tijolo e pedra calcária em vez de granito, diz) abrevia a espera. Por isso as recomenda. É já a ruínologia contra a qual, Delille, num poema de 1782, se insurgiu a favor da “inimitável marca do tempo”, que aliás tanto o fascina.
Prefiro naturalmente o gosto Romântico à pedagogia. Em 1787, no decorrer de uma viagem ao Egipto e à Síria, Constantin-François Volney congratula-se com a ruína do seu sentido político. As ruínas dos castelos e dos templos extasiam-no. Ela é a prova insofismável da queda do poder opressivo. A ruína acede, curiosa inversão de perspectiva, ao orgulho revolucionário. Desagradável quanto inocente raciocínio.
O restauro, como atitude, que à primeira vista se lhe parece opor, não me merece maior simpatia. O meu fascínio pela ruína é estético, não é histórico. Qualquer reconstituição é, a esse nível, uma perturbação inútil introduzida nesse lento labor do tempo que aliás recomeçará, com a paciência de um monge copista. Não se deve alterar, sob nenhum pretexto, o conteúdo dos manuscritos.
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20100816
20100809
20100808
20100806
Do calor
Uma sombra. 38º sob essa concha. 42 fora dela. O calor protege-te. Ninguém no seu perfeito juízo para aqui vem livremente. Tanto te faz que à noite a temperatura desça um pouco e que seja esse o principal assunto das conversas. Interessa-te apenas as três horas da tarde. Mergulhar nessa ausência momentânea, nessa espécie de vertigem que a suspensão da actividade humana sempre te provoca.
(Alentejo-Agosto)
20100802
20100722
A cor do mar
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Este blogue funciona a maresia e faz agora uma pausa para reposição dos níveis.Um abraço.
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