20100610
20100609
20100608
20100605
20100602
Transporto-os como casas, os livros.
Conheço bem as casas. Vivi dentro delas uma vida inteira. Conheço as suas armadilhas de veludo e aconchego. Nasci dentro de uma. Volto lá às vezes.
Noutras estive só por uma noite, nalguns casos apenas uma tarde que me ficou para sempre. São essas que me interessam. As portas são uma espécie de metáfora desse interesse. Acontece-me o mesmo com os livros. Transporto-os como casas, assim que ultrapasso a primeira página e entro lá para dentro. Tenho onde ficar onde quer que esteja.
20100601
20100530
As casas
Gosto deste som de sombra, ouvido do lado de dentro. Como um búzio concebido para as longas tardes de calor ou os dias duríssimos de Inverno.
Não te sei explicar esse som. São precisas várias coisas. Uma porta de madeira, um corredor , ao fim desse corredor um pequeno pátio. As portas têm de ter vidros coloridos antigos, martelados, com tons quentes. Ouves o som e não te mexes. Fica preso na tarde como uma lagartixa ao sol, ou o sino de um mosteiro tibetano. A casa torna-se como que abandonada contigo lá dentro. Quando vais ver quem bateu à porta já não há ninguém. É assim. Com pequenas variações.
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